Dados do painel Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontam que, nos primeiros cinco meses de 2026, aproximadamente 2,1 milhões de novos processos foram registrados na Justiça do Trabalho. O número representa um aumento de 5,75% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados cerca de 2 milhões de novos processos.
A coordenadora do setor trabalhista da ABV Advogados, Dra. Juliana Felipe, explica alguns dos fatores que podem estar contribuindo para o aumento da litigiosidade trabalhista em 2026.
“Um fator relevante é a ampliação do acesso à Justiça gratuita. Com o entendimento do STF sobre a Reforma Trabalhista, o beneficiário da gratuidade ficou, na prática, sem o risco imediato de pagar honorários de sucumbência caso perca a ação. Além disso, a Justiça gratuita pode ser concedida com base na declaração de insuficiência de recursos apresentada pelo trabalhador. A aplicação de precedentes vinculantes pela Justiça do Trabalho também estar contribuindo para esse aumento: teses que pacificam o direito a adicionais (como periculosidade, insalubridade ou horas extras para categorias específicas), assim como pacificação do entendimento de que o atraso de determinados recolhimentos pelo empregador geram rescisão indireta criam uma linha de produção para escritórios de advocacia, que passam a acionar o Judiciário em massa sabendo que o ganho de causa está garantido pelo precedente”.
Segundo a advogada, a redução do risco de perda para os autores das ações, com o ajuizamento de uma reclamação trabalhista, pode contribuir para o aumento da judicialização. Para as empresas, esse cenário reforça a importância de investir em compliance trabalhista, cumprir rigorosamente as obrigações legais e manter uma documentação adequada, como forma de prevenir ações e reduzir custos e passivos.
Diante desse cenário, alguns pontos da gestão empresarial exigem atenção constante. A prevenção deve começar pelo compliance trabalhista e pelo acompanhamento das rotinas da empresa. Jornada de trabalho e horas extras, controle de ponto, salários e benefícios, férias, desligamentos, saúde e segurança do trabalho e cumprimento das normas coletivas são aspectos que demandam monitoramento contínuo.
Também é essencial manter documentos e registros organizados. Não basta cumprir as obrigações trabalhistas: a empresa precisa ter condições de demonstrar que as cumpriu. Auditorias periódicas e a revisão de procedimentos contribuem para identificar falhas antes que elas se transformem em processos e custos.
A especialista destaca ainda a importância da atuação integrada entre RH e Jurídico, de forma preventiva.
“O RH identifica, na rotina, sinais de risco, como reclamações recorrentes, problemas de jornada, alta rotatividade, conflitos com lideranças e afastamentos. O Jurídico avalia esses pontos e orienta as medidas necessárias para reduzir a exposição da empresa.”
Essa integração, aliada a reuniões periódicas, à análise dos processos existentes e ao acompanhamento dos principais indicadores trabalhistas, permite identificar e corrigir problemas antes que eles se repitam ou cheguem à Justiça.



